“Esse livro simplesmente traz as obras mais antigas que deram origem ao mito Arturiano. São escrituras do século X em diante, não é uma leitura fácil ou comum aos dias de hoje, mas é um registro histórico fundamental para entender como nasce um mito. Tem uma parte retirada dos livros galeses que é uma tradução absurdamente rara, acho que nem em inglês se acha com facilidade. Considero o melhor livro para compreender o registro histórico Arturiano, fora que a edição é linda. O melhor livro que esta editora já fez!”
As Crônicas Ancestrais Do Rei Arthur - Tomo I
por Geoffrey de Monmouth, Nennius e outros
Em 1136, Geoffrey de Monmouth declarou: 'Os feitos desses homens foram tais que merecem ser louvados por todo o tempo.' E então escreveu doze livros que transformaram um líder militar obscuro — mencionado como dux bellorum por Nennius três séculos antes — no rei Arthur que o mundo inteiro conheceria: o monarca de Caliburn forjada em Avalon, dos dragões profetizados por Merlin, da traição de Mordred às margens do rio Cambula. Este volume reúne, pela primeira vez em edição brasileira, o texto completo de Geoffrey junto com os documentos que o antecederam — Nennius, Annales Cambriae e poemas do Livro de Taliesin — em 608 páginas de capa dura com miolo colorido e três anexos acadêmicos.
Sinopse editorial
Primeiro tomo da coleção As Crônicas Ancestrais do Rei Arthur, este volume reúne os textos fundadores da tradição arturiana em 608 páginas com capa dura e miolo colorido. No centro da obra está a Historia Regum Britanniae de Geoffrey de Monmouth (c. 1136) — crônica pseudo-histórica em doze livros que traçou a linhagem dos reis britânicos desde a queda de Troia até o século VII. Brutus funda Nova Troia às margens do Tâmisa; Lear divide o reino entre suas filhas; César invade a ilha; Vortigern assiste ao combate entre o dragão branco e o vermelho enquanto Merlin profetiza; Uther Pendragon gera Arthur com a ajuda da magia; e Arthur, com Caliburn forjada em Avalon, derrota saxões, pictos e romanos antes de ser mortalmente ferido pela traição de Mordred às margens do rio Cambula — 'e foi levado para a ilha de Avalon para tratar de seus ferimentos.' O tomo inclui a Historia Brittonum de Nennius (séc. IX), que apresenta Arthur não como rei, mas como dux bellorum em doze batalhas — da foz do rio Glein ao Monte Badon, onde 'caíram novecentos e sessenta homens antes do único ataque de Arthur'. Inclui os Annales Cambriae (séc. X), que fixam as datas de Badon (516) e Camlann (537) — 'na qual Arthur e Medraut caíram'. Inclui ainda poemas do Livro de Taliesin e três anexos acadêmicos sobre fontes históricas, o contexto normando de Geoffrey e a formação do ciclo arturiano.
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Capa Dura — Miolo Colorido
608 páginas em capa dura com miolo colorido, guardas ilustradas, 12 livros de Geoffrey, Nennius, Annales Cambriae, poemas de Taliesin, 3 anexos acadêmicos, prefácio e esboço biográfico.
- ♦ ISBN 978-6598217877
- ♦ Capa dura
- ♦ Miolo colorido
- ♦ 608 páginas
- ♦ 3 anexos acadêmicos
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“Merlin rompeu em lágrimas, absorveu o espírito profético e disse: 'Ai do dragão vermelho, pois sua destruição se aproxima. Suas cavernas serão tomadas pelo dragão branco, que representa os saxões que você convidou. O dragão vermelho simboliza a nação britânica, que será oprimida pelo branco.'”
Roteiro de leitura
Do primeiro contato com a obra ao desfecho narrativo, um itinerário claro para leitura progressiva.
Etapa 1
Alicerce documental
Entrada pela Historia Brittonum de Nennius — onde Arthur aparece como dux bellorum, não como rei — e pelos Annales Cambriae, que fixam Badon (516) e Camlann (537): a base factual antes de Geoffrey.
Etapa 2
Da Queda de Troia à Britânia
Livros I–V de Geoffrey: Brutus funda Nova Troia às margens do Tâmisa, Corineus luta contra gigantes em Cornualha, Lear divide o reino, César invade — a genealogia épica da ilha.
Etapa 3
O arco arturiano
Livros VI–XI: Vortigern e os dois dragões, as profecias de Merlin, a concepção de Arthur por Uther Pendragon, Caliburn forjada em Avalon, quatrocentos e setenta mortos em um único ataque, e a traição de Mordred.
Etapa 4
Aparato crítico e poesia
Poemas do Livro de Taliesin, esboço biográfico de Geoffrey (c. 1090–1155, Monmouth, cônego de Oxford, bispo de St. Asaph), e três anexos acadêmicos que situam a obra na tradição manuscrita.
Percurso editorial deste tomo
Este tomo inaugura a coleção As Crônicas Ancestrais do Rei Arthur reunindo os textos que fizeram Arthur existir como personagem literário — antes de Chrétien, antes de Malory, antes de Tennyson, antes do cinema:
- O substrato factual: a Historia Brittonum de Nennius (séc. IX) apresenta Arthur como dux bellorum, não como rei — “lutou juntamente com os reis dos britânicos, mas ele próprio era o líder nas batalhas” — e lista suas doze vitórias, da foz do rio Glein ao Monte Badon, onde “caíram novecentos e sessenta homens antes do único ataque de Arthur”.
- A espinha dorsal cronológica: os Annales Cambriae (séc. X) fixam duas datas que atravessariam oito séculos de literatura — Badon em 516 e Camlann em 537, “na qual Arthur e Medraut caíram”, sem esclarecer se lutaram juntos ou um contra o outro.
- A invenção do rei: a Historia Regum Britanniae de Geoffrey de Monmouth (c. 1136), em doze livros, transforma o comandante militar em monarca — e cria a genealogia troiana de Brutus, a Caliburn forjada em Avalon, os dois dragões sob a torre de Vortigern, as profecias de Merlin, a traição de Mordred.
- A dimensão poética: poemas do Livro de Taliesin acrescentam a voz bárdica celta que complementa a cronística latina — visões, encantamentos e profecias de um poeta que conviveu com o rei Urien de Rheged no séc. VI.
- Aparato completo: 608 páginas com prefácio, nota do editor, esboço biográfico de Geoffrey (c. 1090–1155), três anexos acadêmicos e notas de rodapé com variantes de nomes (Cai/Kay, Bedwyr/Bedivere, Myrddin/Merlin).
O que Geoffrey de Monmouth realmente escreveu
Geoffrey abre sua Historia com uma declaração de propósito que revela sua ambição: “Não consegui descobrir nada sobre os reis que viveram aqui antes da Encarnação de Cristo, ou mesmo sobre Arthur. No entanto, os feitos desses homens foram tais que merecem ser louvados por todo o tempo.”
O que se segue são doze livros que funcionam em três eixos narrativos simultâneos:
- Legitimação pela origem — Brutus, bisneto de Eneias, desembarca em Totnes, nomeia a ilha de “Britânia” e funda Nova Troia às margens do Tâmisa (futura Londres). Ao seu lado, Corineus luta contra gigantes em Cornualha. Geoffrey cria um mito fundacional que rivaliza com a Eneida de Virgílio, dando aos bretões uma ancestralidade troiana.
- O rei como espelho ético — cada reinado funciona como exemplo moral. Lear divide o reino entre as filhas; Bladud funda Bath; Cassivellaunus luta contra César; Vortigern convida os saxões e assiste à destruição de tudo. A crônica avança por Aurélio Ambrósio, Uther Pendragon e, finalmente, Arthur — o monarca que unifica a ilha, conquista a Europa e é destruído pela traição de dentro de casa.
- Profecia e destino — no Livro VII, Merlin profetiza diante de Vortigern enquanto dois dragões lutam: “Ai do dragão vermelho, pois sua destruição se aproxima. O dragão branco representa os saxões que você convidou.” Geoffrey publicou esse capítulo separadamente antes de 1136, e criou com ele um gênero inteiro de profecias políticas atribuídas a Merlin.
Arthur segundo Geoffrey: de Caliburn a Avalon
No Livro IX, Arthur sobe ao trono com quinze anos — “um jovem de coragem e generosidade incomparáveis, combinadas com uma doçura de temperamento e bondade inata, que lhe garantiram amor universal” — e imediatamente enfrenta os saxões. É neste livro que aparece a cena mais influente da literatura arturiana medieval:
“Arthur, tendo vestido uma cota de malha adequada à grandeza de um rei tão poderoso, colocou um elmo dourado sobre a cabeça, no qual estava gravada a figura de um dragão. Em seus ombros, estava o escudo chamado Priwen; sobre o qual estava pintada a imagem da bem-aventurada Maria, mãe de Deus. Então, cingindo sua espada Caliburn, que era uma excelente espada forjada na ilha de Avallon, armou sua mão direita com sua lança, chamada Ron.”
Geoffrey dedica os Livros IX e X às conquistas continentais de Arthur — da Noruega à Gália, do enfrentamento com o imperador Lúcio à marcha sobre os Alpes. E então, no Livro XI, tudo desmorona: Mordred usurpa o trono, casa-se com Guinevere e reúne oitenta mil soldados — saxões, pictos, escoceses, irlandeses. Arthur retorna, e a batalha final se trava às margens do rio Cambula:
“Arthur, com um de seus batalhões de seis mil seiscentos e sessenta e seis homens, avançou sobre a unidade onde sabia que Mordred estava. Abrindo caminho com espadas, penetrou-a, infligindo uma carnificina terrível. O nefando traidor caiu, junto com muitos milhares de seus homens.”
E então a frase que ecoaria por séculos: “E mesmo o renomado rei Arthur foi mortalmente ferido. Ele foi levado para a ilha de Avalon para tratar de seus ferimentos.”
Nennius e a lista das doze batalhas
Três séculos antes de Geoffrey, Nennius compilou a Historia Brittonum — o documento mais antigo em que Arthur é mencionado pelo nome. O detalhe crucial: Arthur não é chamado de rei. Nennius escreve que “Arthur lutou contra eles naqueles dias, juntamente com os reis dos britânicos, mas ele próprio era o líder nas batalhas” — dux bellorum, comandante militar, possivelmente herdeiro de um cargo romano como o Comes Britanniae.
A lista das doze batalhas é fascinante na sua precisão telegráfica: “A primeira batalha foi na foz do rio Glein; a segunda, terceira, quarta e quinta no rio Dubglas, na região de Linnuis; a sexta no rio Bassas; a sétima na floresta de Celidon… A décima segunda batalha foi no Monte Badon, onde caíram novecentos e sessenta homens antes do único ataque de Arthur, nem qualquer um além dele próprio teve parte em sua queda.”
Os Annales Cambriae (séc. X) confirmam duas dessas batalhas com datas — Badon em 516 e, vinte e um anos depois, Camlann: “O ano da batalha de Camlann, na qual Arthur e Medraut caíram.” Ambiguidade absoluta: não sabemos se lutaram juntos ou um contra o outro. Geoffrey — e toda a tradição posterior — interpretou que eram tio e sobrinho em guerra.
Geoffrey de Monmouth: o homem por trás da crônica
Geoffrey nasceu entre 1090 e 1100 em Monmouth, no sudeste do País de Gales, possivelmente de família bretã que acompanhou Guilherme, o Conquistador. Passou a maior parte da vida adulta em Oxford, como cônego secular do Colégio de São Jorge — todas as suas cartas entre 1129 e 1151 são co-assinadas por Walter, Arquidiácono de Oxford, seu provável fornecedor de fontes galesas.
Geoffrey afirmou traduzir “um antigo livro na língua britânica que contava de forma ordenada os feitos de todos os reis da Britânia” — afirmação que historiadores modernos descartaram, mas que não pode ser completamente refutada. Foi consagrado Bispo de St. Asaph em 1152, mas provavelmente nunca visitou sua diocese (as guerras de Owain Gwynedd tornavam isso improvável). Morreu entre 1154 e 1155.
Seu impacto foi tão vasto que as obras arturianas passaram a ser classificadas como “pré-Galfridianas” e “pós-Galfridianas”. Acton Griscom listou 186 manuscritos existentes em 1929 — e muitos outros foram identificados desde então. Guilherme de Newburgh denunciou Geoffrey por “ter feito o dedo mínimo de seu Arthur maior do que as costas de Alexandre, o Grande”; mesmo assim, a Historia foi traduzida por Wace para o anglo-normando (1155), por Layamon para o inglês médio, e gerou versões galesas anônimas conhecidas como Brut y Brenhinedd.
Para quem é este volume
- Leitor que quer a fonte original: antes de Malory, antes de Chrétien de Troyes, antes de T. H. White e do cinema — este é o texto que inventou Arthur como rei, Merlin como mago, Caliburn como espada, Avalon como destino.
- Estudante de história medieval: três textos-fonte em tradução direta (Geoffrey, Nennius, Annales Cambriae), aparato crítico com notas de rodapé, referências cruzadas e três anexos acadêmicos sobre a tradição manuscrita.
- Colecionador de edições de referência: capa dura com miolo colorido e guardas ilustradas, 608 páginas — o volume inaugural de uma coleção que mapeia toda a matéria arturiana de Nennius a Malory.
- Leitor de Tolkien e fantasia épica: Tolkien era professor de anglo-saxão em Oxford e conhecia Geoffrey de memória. Dragões proféticos, espadas forjadas em ilhas mágicas, reis que partem para o Oeste — os arquétipos de toda a fantasia moderna nasceram nesta crônica.
Características do Livro
- Coleção/Série: As Crônicas Ancestrais do Rei Arthur (Volume 1)
- Detalhes da edição: Capa dura e miolo colorido
- Tradutor: Christian Carnsen
- Ano da edição: 2024
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