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O Mabinogion

por Lady Charlotte Guest

Doze contos que fundaram a mitologia britânica, em edição de 625 páginas. Do Livro Vermelho de Hergest (séc. XIV) emergem os Quatro Ramos do Mabinogi, onde deuses pré-cristãos caminham entre mortais; a narrativa mais antiga do Rei Arthur em Kilhwch e Olwen; e os romances cavaleirescos que alimentaram Chrétien de Troyes e toda a tradição da Távola Redonda. Pela primeira vez em português, com as notas eruditas originais de Lady Charlotte Guest — a mulher que em 1849 resgatou estes contos do esquecimento e os devolveu à consciência literária da Europa.

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Preço R$ 209,90
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Publicado abril de 2024
Páginas 625
ISBN 9786598217846

Sinopse editorial

Este volume reúne os doze contos que formam o corpus completo do Mabinogion — a herança literária mais antiga das ilhas britânicas e o berço do Rei Arthur como figura narrativa. Os Quatro Ramos do Mabinogi (c. 1190) — Pwyll, Branwen, Manawyddan e Math — preservam um mundo pré-cristão de deuses decaídos, metamorfoses e caldeirões de ressurreição. Kilhwch e Olwen (c. 1100), a narrativa arturiana mais antiga conhecida, é uma caçada primitiva e brutal pelo javali Twrch Trwyth. Os Três Romances — A Dama da Fonte, Peredur e Geraint — trazem Arthur já transformado em cavaleiro normando, em paralelos diretos com Chrétien de Troyes. Complementam o volume O Sonho de Maxen Wledig, Lludd e Llevelys, O Sonho de Rhonabwy e Taliesin. Com 625 páginas de tradução integral, biografia de Lady Charlotte Guest, ensaio sobre paralelos culturais europeus e centenas de notas eruditas para cada conto.

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  • ISBN 978-6500797039
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O Mabinogion

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“Os Quatro Ramos do Mabinogi são a coisa mais próxima que temos de um panteão celta em prosa — deuses que caminham entre mortais sem pedir licença, enchendo o mundo de ilusão e metamorfose. Leitura indispensável para quem quer entender o que havia antes de Arthur.”
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Kilhwch e Olwen é um Arthur que nenhuma adaptação moderna ousaria mostrar: primitivo, brutal, fantástico. A caçada ao javali Twrch Trwyth sozinha vale o volume inteiro. As notas de Lady Charlotte Guest acrescentam uma camada de erudição que transforma cada página em porta para a geografia e a mitologia oculta de Gales.

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“'Ele avistou os cães que caçavam o veado: cães de pelagem branca e deslumbrante, com orelhas vermelhas. Encantado pela aparência dos cães, afugentou o bando que os acompanhava e lançou os seus próprios no encalço do veado.' — Assim Pwyll, Príncipe de Dyved, encontra Arawn, Rei de Annwvyn — o Outro Mundo — e é convocado a trocar de lugar com ele por um ano inteiro, governando o reino dos mortos sem que ninguém perceba.”

Pwyll, Príncipe de Dyved

Roteiro de leitura

Do primeiro contato com a obra ao desfecho narrativo, um itinerário claro para leitura progressiva.

I. Os Quatro Ramos

O Mabinogi Propriamente Dito (c. 1190)

Os quatro contos que dão nome ao ciclo — Pwyll, Branwen, Manawyddan e Math — preservam um panteão pré-cristão onde deuses decaídos caminham entre mortais. Pwyll troca de lugar com Arawn, rei do Outro Mundo. Branwen é dada em casamento à Irlanda e desencadeia uma guerra que deixa apenas sete sobreviventes. Manawyddan encontra suas terras enfeitiçadas e devolvidas ao vazio. Math precisa repousar os pés no colo de uma virgem ou morre — e Gwydion fabrica uma guerra inteira para separá-lo de Goewin.

II. Arthur e os Cavaleiros

Kilhwch, Rhonabwy e os Três Romances (c. 1100–1350)

Kilhwch e Olwen (c. 1100) — a narrativa arturiana mais antiga conhecida — é uma caçada primitiva e brutal: Arthur e seus guerreiros perseguem o javali Twrch Trwyth pela Britânia inteira. O Sonho de Rhonabwy (c. 1300) é uma sátira visionária sobre a decadência do País de Gales. Os Três Romances — A Dama da Fonte, Peredur e Geraint — trazem Arthur e seus cavaleiros já transformados em figuras normandas de corte, paralelos diretos aos romances de Chrétien de Troyes.

III. Contos Nativos

O Sonho de Maxen e Lludd e Llevelys (c. 1200–1250)

Duas narrativas curtas enraizadas na época da administração romana na Britânia. O imperador Maxen Wledig de Roma adormece em uma caçada e sonha com a mulher mais bela do mundo numa fortaleza na ponta de uma ilha distante — cruzando continentes e mares de ouro até encontrá-la em Gales. Lludd, rei da Britânia, enfrenta três pragas sobrenaturais com a ajuda de seu irmão Llevelys — incluindo um dragão que grita na noite de Beltane.

Aparato Crítico

Biografia, Ensaio, Introdução e Notas

Biografia completa de Lady Charlotte Guest (1812–1895) — a linguista que falava sete idiomas e resgatou o Mabinogion do esquecimento. Ensaio 'Lendas Medievais da Europa: Uma Exploração do Mabinogion e Seus Paralelos Culturais'. Carta de Lady Charlotte a seus filhos. Prefácio e Introdução originais. Centenas de notas eruditas para cada conto — decifram a mitologia, a toponímia e a geografia oculta de Gales.

Percurso editorial deste volume

Este volume chega ao leitor brasileiro na linha Tesouros Literários de Outrora da Scriptoriando — tradução por Christian Carnsen, com edição e diagramação de Leonardo Camanho Carneiro. A obra original foi publicada por Lady Charlotte Elizabeth Guest em três volumes entre 1838 e 1849, contendo o texto galês, a tradução para o inglês e uma vasta quantidade de notas explicativas. Em 1877, Guest lançou uma versão condensada em volume único contendo apenas a tradução inglesa. Esta edição brasileira restitui as notas eruditas e oferece o texto integral dos doze contos mais Taliesin.

  • Aparato crítico: biografia de Lady Charlotte Guest (1812–1895) — a linguista de sete idiomas que, ao lado do marido John Josiah Guest, o industrial mais poderoso de Gales, resgatou do esquecimento os contos do Llyfr coch Hergest (o Livro Vermelho de Hergest, manuscrito do séc. XIV pertencente ao Jesus College, Oxford). Centenas de notas eruditas para cada conto decifram a mitologia, a toponímia e a geografia oculta de Gales.
  • Ensaio introdutório: “Lendas Medievais da Europa: Uma Exploração do Mabinogion e Seus Paralelos Culturais” — estudo que traça as conexões entre as narrativas galesas e outras tradições medievais europeias.
  • Carta e Prefácio: a Carta de Lady Charlotte a seus filhos e o Prefácio original, documentos que revelam o contexto pessoal e intelectual por trás da tradução.
  • Introdução: classificação das quatro famílias de narrativas, datação dos manuscritos e breve história da hierarquia bárdica galesa — da qual o próprio termo “Mabinogi” (conhecimento do “Mabinog”, o aprendiz de bardo) deriva seu nome.

Análise literária: doze contos, quatro mundos

O Mabinogion não é uma obra unitária — é uma antologia que os estudiosos dividem, desde a própria Introdução de Guest, em quatro famílias distintas, separadas por séculos de composição e por mundos inteiramente diferentes.

  1. O Mabinogi dos Quatro Ramos (c. 1190) — os únicos contos que carregam legitimamente o título “Mabinogi”. São narrativas de caráter quase mítico que preservam uma sobrevivência do antigo folclore celta: os deuses já não são divindades, mas também não se rebaixaram a meros mortais. Pwyll, Príncipe de Dyved, caça em Glyn Cuch quando avista cães de pelagem branca e orelhas vermelhas — pertencentes a Arawn, Rei de Annwvyn, o Outro Mundo. O pacto que se segue exige que Pwyll governe Annwvyn por um ano, dormindo ao lado da rainha sem tocá-la. Branwen é dada em casamento a Matholwch, rei da Irlanda, e sua humilhação desencadeia uma guerra entre duas ilhas cujo instrumento mais terrível é um caldeirão de ressurreição. Manawyddan encontra Dyved inteiramente vazia — terras, animais e homens desaparecidos — e precisa se tornar artesão para sobreviver. Math, soberano de Gwynedd, só se mantém vivo se seus pés repousarem no colo de uma virgem, e seu sobrinho Gwydion fabrica uma guerra inteira para separá-lo dela.

  2. As Histórias de Arthur (c. 1100–1350) — aqui Arthur aparece sob duas faces. Em Kilhwch e Olwen (c. 1100), o conto mais arcaico, ele é um chefe guerreiro nativo da Britânia que comanda uma caçada brutal ao javali Twrch Trwyth — profundamente enraizada na tradição celta, possivelmente composta antes de qualquer influência normanda. Em O Sonho de Rhonabwy (c. 1300–1350), Arthur aparece numa visão onírica como figura do passado perfeito, contrastando com a decadência galesa do presente. Nos Três Romances — A Dama da Fonte, Peredur e Geraint (c. 1200–1250) — Arthur e seus seguidores já adotaram a identidade de cavaleiros normandos. A cavalaria e o espírito cavaleiresco tornaram-se essenciais às narrativas, e os paralelos com Chrétien de Troyes são diretos: Owain/Yvain, Perceval/Peredur, Erec/Geraint.

  3. Os Contos Nativos (c. 1200–1250)O Sonho de Maxen Wledig transporta o leitor à época romana: o imperador Maxen adormece numa caçada e sonha que cruza mares e montanhas até encontrar, na ponta de uma ilha, uma fortaleza de ouro com a mulher mais bela do mundo. Quando acorda, envia emissários por todo o império até encontrá-la em Gales. A História de Lludd e Llevelys narra três pragas sobrenaturais — incluindo um dragão cujo grito na noite de Beltane enlouquece todos os seres vivos — e a sabedoria de Llevelys para combatê-las.

  4. Taliesin — a história do bardo supremo, extraída de um manuscrito mais recente que o Livro Vermelho. Taliesin é o arquétipo do poeta profético galês, e seu conto conecta o Mabinogion à tradição bárdica que sustentou a cultura galesa durante séculos — da Era dos Llywelyns até a conquista de Eduardo I em 1282.

Os arcos narrativos do ciclo

  • Pwyll, Príncipe de Dyved — Pwyll caça em Glyn Cuch e encontra Arawn, rei do Outro Mundo, cujos cães têm pelagem branca e orelhas vermelhas. Troca de lugar com Arawn por um ano, derrota Hafgan em combate singular, e retorna para encontrar Rhiannon — a mulher sobre o cavalo que ninguém consegue alcançar, não importa quão rápido galope. O casamento deles produz um filho que desaparece na noite do nascimento, e Rhiannon é injustamente acusada de matá-lo.
  • Branwen, Filha de Llyr — Bendigeid Vran (Bran, o Abençoado), gigante que é rei coroado da ilha da Britânia, está sentado em Harlech quando treze navios irlandeses se aproximam. Matholwch, rei da Irlanda, pede a mão de Branwen. O casamento é selado, mas a humilhação de Matholwch por Efnisien desencadeia uma guerra. A Irlanda possui o caldeirão de ressurreição — cada guerreiro morto lançado nele renasce, mudo mas apto para o combate. Efnisien se sacrifica esticando-se dentro do caldeirão, destruindo-o a custo da própria vida. Da guerra, sobrevivem apenas sete britânicos. Branwen morre de desgosto ao ver as duas ilhas destruídas por sua causa.
  • Manawyddan, Filho de Llyr — após a devastação, Manawyddan e Pryderi voltam a Dyved e encontram tudo vazio: um encantamento deixou as terras sem homens, sem animais, sem fumaça. Os dois tentam viver como artesãos — seleiros, fabricantes de escudos, sapateiros — mas sua excelência provoca inveja em cada cidade e são expulsos. Apenas quando Manawyddan captura a esposa do mago Llwyd ap Cil Coed é que o encantamento se desfaz.
  • Math, Filho de Mathonwy — Math, soberano de Gwynedd, só sobrevive com os pés no colo de uma virgem. Seu sobrinho Gilvaethwy apaixona-se por Goewin. Gwydion, o outro sobrinho — mago supremo — inventa uma embaixada a Pryderi para roubar seus porcos mágicos (presentes de Arawn, rei de Annwvyn). Carne de pequeno porte, diz Gwydion, mas mais saborosa que a dos bois. A guerra resultante afasta Math e permite o crime. Como punição, Math transforma Gwydion e Gilvaethwy em animais durante três anos: cervos, javalis, lobos — alternando os sexos. Depois, Math cria Blodeuwedd a partir de flores para ser esposa de Lleu — mas ela trai Lleu e é transformada em coruja.
  • Kilhwch e Olwen — Kilhwch, primo de Arthur, é amaldiçoado pela madrasta: só poderá casar com Olwen, filha do gigante Ysbaddaden. Arthur mobiliza seus guerreiros para cumprir as tarefas impossíveis exigidas por Ysbaddaden — a mais épica delas sendo a caçada ao javali Twrch Trwyth pela Britânia e pela Irlanda, para arrancar de entre suas orelhas um pente, uma tesoura e uma navalha mágicos.
  • Os Três Romances — na Dama da Fonte, o cavaleiro Owain descobre uma fonte encantada cujas águas convocam uma tempestade e um cavaleiro negro. Peredur, filha de Efrawg, é criado longe da cavalaria por sua mãe viúva, mas parte para a corte de Arthur e se torna um dos maiores guerreiros. Geraint, filho de Erbin, vence um torneio para honrar Enid, mas o ciúme e a desconfiança quase destroem seu casamento.
  • O Sonho de Maxen Wledig — o imperador de Roma adormece numa caçada nos Alpes e sonha que caminha até o mar, cruza numa nave até a ilha mais bela do mundo, sobe montanhas, encontra uma fortaleza de ouro com um salão cujo teto era coberto de ouro, e nele, a mulher mais bela que jamais vira. Quando acorda, envia emissários que localizam Elen em Caer Seint (Carnarvon), Gales.
  • Lludd e Llevelys — Lludd, rei da Britânia, enfrenta três pragas: um povo cujo conhecimento mágico lhes permite ouvir cada palavra sussurrada no vento; um grito horrendo na noite de Beltane que enlouquece homens e animais; e um gigante que rouba toda a comida dos banquetes reais. Seu irmão Llevelys, rei da França, fornece a sabedoria para combatê-las.
  • O Sonho de Rhonabwy — Rhonabwy adormece sobre uma pele de boi amarela e sonha com Arthur jogando uma partida de xadrez com Owain enquanto mensageiros trazem notícias de uma batalha entre os corvos de Owain e os soldados de Arthur. A narrativa é também uma sátira: o esplendor do passado arturiano contrasta com a miséria do presente galês.
  • Taliesin — o bardo supremo de Gales, cujo conto conecta a tradição poética bárdica à mitologia e ao poder transformador da palavra.

A matriz de toda a tradição arturiana

O Mabinogion não é uma fonte para a lenda de Arthur — é a fonte mais antiga:

  • Chrétien de Troyes — os Três Romances do Mabinogion (A Dama da Fonte, Peredur, Geraint) são paralelos diretos de Yvain, Perceval e Erec et Enide. A relação exata — se Chrétien adaptou os contos galeses, ou se ambos derivam de uma fonte comum — é um dos debates mais antigos da filologia medieval. O que é certo: a matéria narrativa já existia em galês.
  • O Graal — o caldeirão de ressurreição de Branwen é o protótipo funcional do Graal: um recipiente mágico que restaura vida. A transição do caldeirão celta para o cálice cristão é um dos elos mais estudados da literatura comparada medieval.
  • Tolkien e a fantasia moderna — a mulher criada de flores (Blodeuwedd) que se transforma em coruja, os animais mágicos de Annwvyn, as metamorfoses punitivas de Math, a terra inteira esvaziada por um encantamento em Manawyddan — são os mesmos mecanismos narrativos que reaparecem em toda a tradição de fantasia das ilhas britânicas.
  • Matthew Arnold — escreveu que o narrador medieval do Mabinogion é “como um camponês que ergue sua cabana no local de Halicarnasso — ele constrói, mas os materiais que usa pertencem a uma arquitetura mais antiga, grandiosa, refinada e majestosa.” Os contos são resíduos de uma mitologia celta inteira que, diferente da nórdica, não sobreviveu em forma sistemática.

Lady Charlotte Guest: a mulher que resgatou o Mabinogion

Lady Charlotte Elizabeth Guest (1812–1895) é uma das figuras mais notáveis do Renascimento Galês. Já fluente em sete idiomas ao chegar ao País de Gales — incluindo árabe, hebraico e persa —, colaborou com Thomas Price e John Jones (Tegid) para dominar o galês e traduzir os contos do Livro Vermelho de Hergest. Casou-se em 1833 com John Josiah Guest, dono das Fundições de Ferro de Dowlais — a maior operação industrial de Gales — e teve dez filhos enquanto administrava negócios, fundava escolas e traduzia o Mabinogion. Após a morte de John, assumiu as fundições antes de se casar com Charles Schreiber, erudito clássico 14 anos mais jovem. Juntos, acumularam coleções de cerâmicas, leques e baralhos hoje exibidos no Victoria and Albert Museum e no British Museum. Mesmo cega nos últimos anos, continuou tricotando cachecóis para taxistas.

O título “Mabinogion” é, tecnicamente, uma invenção — um plural fabricado por Guest a partir de “Mabinogi” (o conhecimento do “Mabinog”, o aprendiz de bardo na hierarquia bárdica galesa). Na realidade, o termo “Mabinogi” se aplica apenas aos Quatro Ramos, e o plural correto nunca existiu na gramática medieval galesa. No entanto, o nome perdurou como sinônimo de todo o corpus — testamento do impacto cultural que Guest exerceu ao publicar estes contos.

Para quem este volume é ideal

  • Para o leitor de Arthur que quer a fonte original: se você conhece Arthur por Malory, por T.H. White, por filmes ou séries — este é o texto que veio antes de todos eles. Um Arthur galês, pré-normando, mais mágico e mais brutal, numa Britânia onde deuses e mortais dividem caminhos.
  • Para estudiosos e acadêmicos: tradução integral com centenas de notas eruditas originais de Lady Charlotte Guest, biografia da tradutora, ensaio sobre paralelos culturais medievais e introdução com datação e classificação dos manuscritos — aparato que sustenta pesquisa séria.
  • Para quem busca narrativas de metamorfose e ilusão: os Quatro Ramos são uma das representações mais ricas do pensamento mágico pré-cristão na Europa. Gwydion cria porcos a partir de cogumelos e uma mulher a partir de flores. Math transforma os sobrinhos em animais alternando-lhes os sexos. Arawn governa um reino dos mortos indistinguível do dos vivos. A linha entre real e encantado não existe.
  • Para colecionadores: primeiro tomo da mitologia britânica — 625 páginas em capa dura premium, ao lado da Edda em Prosa, do Beowulf e das Sagas Islandesas como pilar da literatura medieval das ilhas.

Uma edição à altura do manuscrito

  • Tradução integral: Christian Carnsen verteu os doze contos mantendo a cadência da prosa galesa medieval — direta, estranha, carregada de fórmulas repetitivas que são parte essencial da tradição bárdica oral.
  • Notas eruditas: as anotações originais de Lady Charlotte Guest — decifram a mitologia, os rios e a geografia escondida em Gales, identificam paralelos com a Historia Regum Britanniae de Geoffrey de Monmouth e com Chrétien de Troyes, e explicam as referências aos Treze Tesouros da Ilha da Britânia (inclui o caldeirão de Tyrnog, que ferve somente para o homem valente, e o tabuleiro de xadrez de Gwenddolen, cujas peças de prata se movem sozinhas).
  • Biografia e ensaio: a vida de Lady Charlotte Guest — da infância turbulenta ao casamento com o industrial mais poderoso de Gales, da tradução do Mabinogion à coleção de arte doada ao British Museum — é um tema por si só. O ensaio “Lendas Medievais da Europa” contextualiza o Mabinogion dentro da tradição medieval europeia.
  • Carta aos filhos e Prefácio: documentos pessoais que revelam como e por que Guest empreendeu a tradução — um dos projetos editoriais mais ambiciosos do séc. XIX.

Relevância literária e editorial

  • Para a história da literatura: o Mabinogion é o elo entre a mitologia celta insular (preservada em fragmentos na Irlanda e em Gales) e a tradição cavaleiresca europeia que produziu Chrétien, Wolfram von Eschenbach e Thomas Malory. Sem ele, a genealogia do Graal, de Perceval e da própria Távola Redonda perde seu ponto de partida mais antigo.
  • Para a mitologia comparada: os Quatro Ramos preservam o que Matthew Arnold chamou de “materiais de uma arquitetura mais antiga” — resíduos de um panteão celta que, diferente do nórdico, não foi sistematizado por um compilador como Snorri Sturluson. O Mabinogion é o mais próximo que temos de uma mitologia celta em prosa.
  • Para o leitor contemporâneo: doze contos que demonstram que a literatura medieval galesa não precisa de modernização para fascinar. Cães de orelhas vermelhas, um gigante que é rei, pés no colo de uma virgem como condição de vida, uma mulher de flores que se transforma em coruja — a estranheza é irredutível e inesgotável.

“Ele avistou os cães que caçavam o veado: cães de pelagem branca e deslumbrante, com orelhas vermelhas.” — Com esta visão impossível, Pwyll encontra Annwvyn e abre a porta para um mundo inteiro de mitos, metamorfoses e cavaleiros que desapareceriam sem Lady Charlotte Guest. Seis séculos depois do Livro Vermelho, estes contos continuam estranhos, mágicos e inexplicáveis. O Mabinogion é o alicerce de tudo o que a fantasia britânica se tornou. Aceite o chamado.

Características do Livro

  • Coleção: Tesouros Literários de Outrora
  • Título original: The Mabinogion — 3 Volumes (1849)
  • Tradução: Christian Carnsen
  • Edição e diagramação: Leonardo Camanho Carneiro
  • Edição Executiva: Scriptoriando
  • Ano edição: 2024 (2ª edição)

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