Por que esta obra importa
Este é um dos volumes mais decisivos de toda a coleção porque mostra o momento em que o universo arturiano muda de natureza. Se o tomo I funda Arthur como rei e o tomo II transforma seus cavaleiros em protagonistas de romance, o tomo III faz algo ainda maior: integra a matéria da Bretanha a uma história de salvação, ligando a Paixão de Cristo, José de Arimateia, o Santo Graal, Merlim, a Távola Redonda e a busca de Perceval numa única estrutura narrativa. É aqui que o Graal deixa de ser apenas um objeto misterioso e passa a ser o cálice da Última Ceia e do sangue de Cristo; é aqui que Merlim deixa de ser apenas conselheiro e profeta para se tornar figura liminar entre inferno, providência e reino; é aqui que a tradição ganha a forma que depois alimentará a Vulgata, Malory, Tennyson, Eliot, cinema e cultura pop. Para o catálogo da Scriptoriando, este tomo tem peso raro: ele não apenas continua a coleção — ele explica por que o ciclo arturiano se tornou uma das arquiteturas imaginativas mais duradouras do Ocidente.
No radar agora
O leitor que entrar neste tomo encontrará não só textos raros e decisivos, mas uma verdadeira passagem de nível dentro da coleção: a ponte entre Geoffrey, Chrétien e tudo o que virá depois, apresentada com aparato suficiente para tornar legíveis tanto o fascínio narrativo quanto as disputas filológicas do Pequeno Ciclo do Graal.
Por que ele chega agora
Este volume chega no ponto exato em que a coleção precisa aprofundar o seu centro de gravidade. Depois das fontes fundadoras de Geoffrey e Nennius e da revolução cortês de Chrétien de Troyes, o passo natural é entrar na oficina espiritual que deu ao ciclo sua forma mais persistente: a cristianização do Graal, a centralidade de Merlim e a ideia de uma história providencial que atravessa séculos. Tomo III não funciona como apêndice erudito, mas como virada de chave. Ele oferece ao leitor brasileiro o momento em que a Távola Redonda deixa de ser apenas corte cavaleiresca e passa a ser parte de uma economia sagrada; o momento em que o cálice misterioso se torna relíquia de Cristo; o momento em que o destino de Artur passa a ser lido sob a luz da profecia, da genealogia e do fim de um mundo. É o livro que torna visível a engrenagem profunda por trás de quase toda a tradição posterior do Graal.
Fios que organizam este livro
Roteiro editorial da obra
O ponto de virada
Quando o Graal deixa de ser enigma e se torna relíquia
Chrétien de Troyes introduziu o Graal como objeto misterioso e inesgotável. Robert de Boron e a tradição associada ao Pequeno Ciclo do Graal dão o passo que mudaria tudo: identificam o vaso com o cálice da Última Ceia e com o sangue de Cristo recolhido por José de Arimateia. A partir daqui, a busca do Graal já não é apenas maravilha cortesã, mas peregrinação espiritual.
Merlim no centro
Do profeta selvagem de Geoffrey ao arquiteto providencial do ciclo
A Vita Merlini oferece um Merlim anterior à forma mais popular da lenda: enlouquecido, retirado na floresta, cercado por visões, por Taliesin e pelo mundo de Avalon. Já o Merlim associado a Robert de Boron o reinscreve numa economia cristã e profética: filho de um plano demoníaco frustrado, mas redimido e posto a serviço do destino da Britânia. O volume permite ver essa metamorfose em profundidade.
A arquitetura do tomo
Uma história que vai da Paixão à queda de Camelot
O Pequeno Ciclo do Graal pensa a matéria arturiana em escala inédita: começa com Cristo, passa por José de Arimateia, prepara a Távola Redonda com Merlim e culmina na busca de Perceval e no fim do mundo arturiano. Não são episódios soltos, mas uma narrativa de longa duração organizada por profecia, genealogia e cumprimento.
Questão de autoria
Robert de Boron, Pseudo-Boron e o laboratório da literatura medieval
Poucos volumes permitem ao leitor ver tão de perto como a literatura medieval realmente funciona. Há versos perdidos, reescritas em prosa, atribuições incertas, discussões sobre o Didot-Perceval e o uso moderno do rótulo “Pseudo-Boron”. Em vez de empobrecer o livro, essa instabilidade o torna ainda mais vivo: ela mostra como um grande mito se compõe, circula e se transforma.
Lugar na tradição
O tomo que prepara a Vulgata, Malory e a imaginação moderna do Graal
Quase tudo o que o público moderno imagina quando pensa em Santo Graal passa, de algum modo, por este momento da tradição: o cálice de Cristo, a linhagem sagrada, o Rei Pescador, a Távola Redonda como instituição providencial, o cavaleiro predestinado, Merlim como figura ambígua e imensa. Tomo III é, portanto, menos um volume intermediário e mais uma peça-mestra do percurso arturiano.
A edição brasileira
Leitura guiada para um corpus complexo e fundamental
A edição brasileira precisa servir a dois leitores ao mesmo tempo: o apaixonado por mito, cavalaria e fantasia, e o leitor que quer compreender questões de transmissão textual, autoria e contexto medieval. Por isso, o projeto se apoia em introdução, notas e ensaios complementares que esclarecem o lugar de Robert de Boron, a transformação do Graal e a fortuna posterior do ciclo.
Estrutura da edição
Como o tomo III aparece no sumário editorial da obra
A estrutura abaixo segue o sumário da obra como ele aparece no arquivo editorial: abertura crítica e tradutória, corpo tripartido de José de Arimatéia / Merlin / Perceval, encerramento arturiano e a seção final com A Vida de Merlin e os anexos.
- 01
Abertura editorial
O Pequeno Ciclo do Graal
- 02
Sobre Esta Tradução
- 03
Prefácio de Daniel Taboada
- 04
Merlin: A Ponte entre Dois Mundos
- 05
Geoffrey de Monmouth e o Nascimento Literário de Merlin
- 06
Robert de Boron e a Cristianização do Mito de Merlin
- 07
Prefácio
- 08
José de Arimatéia
A Entrega do Graal
- 09
A Vingança de Vespasiano
- 10
O Mistério do Assento Vazio
- 11
Merlin
A Revelação de Merlin
- 12
A Profecia de Merlin
- 13
A Expulsão dos Saxões
- 14
A Morte Tríplice
- 15
A Ascensão de Utherpendragon
- 16
A Terceira Mesa Sagrada
- 17
A Criança Predestinada
- 18
Perceval
A Festa de Pentecostes
- 19
O Orgulhoso da Terra
- 20
A Aventura do Castelo do Tabuleiro de Xadrez
- 21
A Irmã e o Tio de Perceval
- 22
O Covarde Bonito e a Donzela Feia
- 23
O Combate no Vau
- 24
O Castelo do Rei Pescador
- 25
O Retorno ao Castelo do Tabuleiro de Xadrez
- 26
O Retorno ao Tio Eremita
- 27
O Torneio no Castelo
- 28
O Retorno ao Rei Pescador
- 29
A Morte de Artur
- 30
A Conquista Da França
- 31
A Campanha Contra os Romanos
- 32
A Traição de Mordred e a Morte do Rei Arthur
- 33
Fecho e anexos
A Vida De Merlin
- 34
Anexo I – O Enigma Biográfico de Robert de Boron
- 35
Anexo II – O Corpus Textual e sua Transmissão
- 36
Anexo III – As Inovações Teológicas e Literárias
- 37
Anexo IV – Estrutura, Legado e Fortuna Crítica
Crônicas para acompanhar este lançamento
Crônica de aquecimento
Por que ler o Pequeno Ciclo do Graal hoje?
Um primeiro texto para apresentar Robert de Boron, a virada espiritual do Graal e o papel decisivo deste tomo dentro do percurso arturiano da coleção.
Ler a crônica →Artigo de lançamento
Quando o Graal reorganiza o mundo arturiano
Um ensaio para o lançamento, voltado ao momento em que o cálice, Merlim, Perceval e a queda de Artur passam a formar uma única arquitetura providencial.
Ver o ensaio →O que falta para avançar
Concluir revisão editorial e preparar a entrada em design e produção.
O que já está definido
- • Integra a Vita Merlini de Geoffrey de Monmouth ao arco Robert de Boron / Pequeno Ciclo do Graal, fazendo de Merlim o fio condutor do volume.
- • Apresenta o momento em que o Graal se torna explicitamente o cálice da Última Ceia e do sangue de Cristo, mudando para sempre a tradição arturiana.
- • Enquadra com clareza a questão crítica de autoria: Robert de Boron, Pseudo-Boron, textos em verso, reescritas em prosa e o problema do Didot-Perceval.
- • Funciona como ponte orgânica entre Chrétien de Troyes e os grandes ciclos em prosa do século XIII, especialmente a Vulgata.
- • Volume pensado para combinar leitura literária, contexto histórico e aparato editorial robusto sem sacrificar o senso de assombro do ciclo.
Quem está fazendo este livro
Tradução
Leonardo Camanho Carneiro
Editora e publisher
Aline Ferreira de Souza
Colaborador
Daniel Taboada
Prefácio do volume.
Consultoria editorial
Adilson Ramachandra
Revisão
Bárbara Parente
Diagramação
Cauê Veroneze